O historiador e a memória

Preservar mais de 170 anos de história não é tarefa fácil. Para garantir que todos os documentos, objetos e fotos sejam preservados e possam ser acessados pelo público, o Centro de Memória troca experiências com instituições e profissionais que também compartilham desse desafio.

Angela Di Stasio, Mestre em Memória Social pela Unirio, explicou um pouco sobre o trabalho de Historiadora na Biblioteca Nacional, função que exerce há 31 anos. Atualmente, ela coordena dois programas de pesquisa de periocidade anual, o Programa de Residência em Pesquisa na Biblioteca Nacional, destinado a doutores, em sistema de residência, e o Programa de Apoio à Pesquisa, destinado a graduandos, doutorandos e doutores.

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O Brasil parece ter pouco apreço pela memória. Por que é importante a preservação das Bibliotecas e Centros de Memória?

A missão fundamental das bibliotecas e dos centros culturais é, sem dúvida, identificar, organizar, preservar, produzir conteúdo científico e disseminar a documentação histórica da memória cultural.

Qual seu maior desafio no trabalho?

Manter o grau de excelência no acompanhamento dos projetos de pesquisa e desenvolvidos na Biblioteca Nacional e possibilitar notável relação dos pesquisadores com o acervo disponível.

A Biblioteca Nacional vem digitalizando seu acervo. Qual a importância deste projeto?

A Biblioteca Nacional, através da BNDigital, da Hemeroteca Digital e, recentemente, da Biblioteca Digital Luso-Brasileira, possibilita a preservação da informação e a disseminação da memória cultural. Além disso, possibilita a praticidade do acesso ao acervo disponível. São milhares de documentos entre livros, gravuras, partituras, jornais, revistas, manuscritos, mapas etc. que podem ser acessados de maneira fácil e rápida.

Em sua opinião, quais seriam as possíveis dificuldades que o grande público poderia ter em relação ao acesso aos espaços de preservação da memória?

Penso que as maiores dificuldades podem ser a falta de informação de como acessar a documentação disponível no acervo, isto é, a falta de orientação correta e, também, o estado de conservação ruim do documento, o que inviabiliza o acesso.

Qual é a obra mais rara do acervo da Biblioteca Nacional? E o exemplar pelo qual você tem maior afeição?

Raridade é um dos critérios que caracteriza o acervo especial: Manuscritos, Obras Raras, Iconografia, Cartografia e Acervo Sonoro. São inúmeras obras raras e preciosas existentes nesses acervos. Entretanto, para mim, as obras que mais valorizo, por questões de estética e beleza, são os Livros de Horas, que são livros de devoção, criados nos fins da Idade Média, na Europa, e eram utilizados nas orações particulares. São compostos por calendário litúrgico, orações comuns, salmos e são ricamente ilustrados com iluminuras em ouro e cores primárias. Vale a pena conferir.

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